Cuidando de quem cuida



Tanto este texto, quanto o vídeo, são voltados aos familiares e cuidadores de pacientes que sobreviveram à sepse e passaram por um processo de internação.

Durante a internação do doente na Unidade de Terapia Intensiva, muitas vezes os familiares não têm a oportunidade de permanecerem dentro desta unidade para acompanhar o tratamento e cuidados prestados ao seu ente querido. Existem vários estudos e grupos de profissionais dedicados a trabalhar para mudar esta realidade e estruturar uma forma de deixar as famílias dentro das unidades de terapia intensiva, promovendo e fortalecendo o vínculo entre a equipe de saúde, o paciente e seu familiar. Além disso, é de extrema importância que o paciente e familiares participem dos processos do cuidado e reabilitação. Infelizmente, nem todas as UTIs possuem uma rotina adaptada para que seja possível a permanência dos familiares por longos períodos, acompanhando o paciente e participando dos processos de cuidado e preparo para a reabilitação.

Caso o familiar ou o cuidador de um paciente, que esteja ou tenha ficado internado, tenha dúvidas sobre o tratamento, sobre as medicações que o paciente esteja utilizando ou não se recorde de algo importante relacionado à internação, é importante procurar a equipe de saúde que prestou esse atendimento e tentar esclarecer essas dúvidas.

Assim como o paciente que passou por um tratamento intensivo, aqueles que o acompanham também passam por um momento de fragilidade, muitas vezes acompanhado de medo, sensação de impotência, muitas dúvidas e ansiedade. A responsabilidade de cuidar de um ente querido somada à expectativa da espera de notícias e informações sobre resultados de exames, além de ter que repassar informações para o restante da família, pode causar sobrecarga emocional ao familiar/cuidador. Por isso, além de cuidar do paciente no processo de reabilitação, é importante que o familiar/cuidador possa cuidar também de si mesmo.

Os familiares que acompanham os pacientes durante a internação na UTI, quando voltam para casa, têm ainda toda a demanda de organizar o retorno desse paciente, agendar os próximos procedimentos de reabilitação, como fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, consultas, exames, retornos etc. Desta forma, muitas vezes o familiar responsável por cuidar do doente, acaba abandonando o seu próprio cuidado, deixando de fazer as suas as atividades físicas, deixando de cuidar da sua saúde e de procurar o seu médico.

Não é incomum que o familiar que ficou responsável por acompanhar o doente, durante o processo de internação e depois da alta, se sinta sobrecarregado e cansado. É importante que essa pessoa possa compartilhar seus sentimentos e angústias com alguém, e tenha uma rede de apoio para solicitar ajuda e dividir a responsabilidade dos cuidados com o doente, ainda mais se a prestação deste cuidado não for remunerada.

Dividir a responsabilidade do cuidado do doente com outros familiares e rede de apoio como amigos, por exemplo, pode melhorar a qualidade de vida do cuidador, que terá tempo para desempenhar atividades que são importantes para si mesmo.


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Daiana Barbosa - Coren-RS 224603
Coren-RS 224603

Daiana Barbosa

Graduada em Enfermagem pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós-graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos,Doutoranda do Programa de Ciências de Reabilitação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Atuou como Coordenadora Assistencial do Centro de Tratamento Intensivo Adulto do Hospital Moinhos de Vento, também foi Consultora Técnica do Escritório de Projetos PROADI-SUS do Hospital Moinhos de Vento, Professora da Graduação em Enfermagem, Coordenadora dos programas de Pós-Graduação em Enfermagem: Terapia Intensiva e Emergência Adulto; Terapia Intensiva e Emergência Pediátrica; Centro Cirúrgico Sala de Recuperação e CME na Faculdade de Ciências da Saúde do Hospital Moinhos de Vento, Pesquisadora do Escritório de Projetos PROADI-SUS do Hospital Moinhos de Vento, atuando nos Projetos UTI Visitas e DONORS – Estratégias para otimizar a doação de órgãos no Brasil. Atualmente, é Consultora de Práticas de Qualidade e Segurança e Cuidado Centrado na Pessoa do Planetree Brasil Office, no Escritório de Excelência do Hospital Albert Einstein.

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