Depoimento – Roseli de Souza Oliveira
Minha história com a sepse: quando tudo mudou de forma inesperada. Nunca imaginei que uma cirurgia eletiva pudesse mudar completamente a minha vida.
Fui internada para realizar uma cirurgia programada de diverticulite, feita por videolaparoscopia. A expectativa era de uma recuperação tranquila. Mas, logo após o procedimento, comecei a piorar rapidamente. Algo não estava certo.
Apresentei sinais de sepse, e após novas investigações, os médicos descobriram algo inesperado: perfurações no intestino delgado do lado direito, um quadro atípico e diferente do padrão da diverticulite. A partir dali, minha condição se agravou muito rápido.
Desenvolvi sepse grave e choque séptico, com falência de múltiplos órgãos. Foram meses extremamente difíceis. Passei por 35 cirurgias, fiquei cinco meses em coma induzido, tive complicações graves como AVC hemorrágico, infarto e embolia pulmonar, além de insuficiência renal, que exigiu hemodiálise, e múltiplas transfusões de sangue.
Contra todas as expectativas, sobrevivi.
Depois de uma longa internação em UTI, recebi alta hospitalar com homecare, seguindo com cuidados médicos em casa. A recuperação foi lenta, exigiu paciência, apoio e uma equipe multidisciplinar muito presente.
A reabilitação física foi um capítulo à parte. Após três meses de fisioterapia, consegui voltar a caminhar curtos percursos sem apoio. Cada passo era uma vitória. Aos poucos, fui recuperando minha autonomia, minha confiança e minha vida.
Hoje, tenho recuperação neurológica completa, meus rins voltaram a funcionar normalmente e consegui me reintegrar social e profissionalmente. Atualmente, atuo como Vice-Presidente da Bengala Verde, onde trabalho na defesa dos direitos das pessoas com deficiência visual.
Compartilho minha história porque a sepse ainda é pouco conhecida, apesar de ser uma das principais causas de morte no mundo. Ela pode surgir de forma inesperada, mesmo após procedimentos considerados de baixo risco. Reconhecer os sinais precocemente salva vidas.
Se minha história ajudar uma única pessoa a buscar atendimento mais rápido, fazer uma pergunta a mais ou confiar em seu instinto diante de uma piora clínica, ela já terá cumprido seu papel.
A sepse mudou minha vida — mas também me deu um propósito ainda maior: conscientizar, informar e lembrar que a recuperação é possível.

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